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Vendas de médio e alto padrão caem 24,8% no 2º trimestre de 2026

O Indicador Abrainc/Fipe mostra o Minha Casa Minha Vida sustentando o mercado enquanto lançamentos e vendas de MAP recuam e o estoque do programa sobe.

2 min de leitura

O mais recente release dos Indicadores Abrainc/Fipe, com dados até junho de 2026, mostra um mercado de imóveis novos dividido em dois. No 2º trimestre, as incorporadoras que compõem a amostra lançaram 46.557 unidades, 2,5% menos que no mesmo período de 2025, e venderam 49.187 unidades, queda de 3,4%. O recuo veio quase todo do segmento de Médio e Alto Padrão (MAP). O Minha Casa Minha Vida (MCMV) ficou estável.

Os números do trimestre

  • Lançamentos MAP: 6.794 unidades, queda de 17,1%, somando R$ 7,3 bilhões;
  • Lançamentos MCMV: 39.763 unidades, alta de 0,5%;
  • Vendas MAP: 7.014 unidades, queda de 24,8% em volume e de 11,9% em valor;
  • Vendas MCMV: 41.073 unidades, alta de 1,7%;
  • Relação distratos/vendas no MAP: 24,3%, alta de 10,0 pontos percentuais.

No semestre, o quadro é parecido. Os lançamentos acumularam queda de 6,1% em volume e de 13,8% em valor real, corrigido pelo IPCA. As vendas subiram 5,0% em volume e 4,6% em valor, mas a alta é sustentada pelo MCMV, que vendeu 10,9% mais unidades, enquanto o MAP vendeu 13,9% menos.

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Estoque e velocidade de venda

A oferta disponível ao final de junho somou 150.138 unidades, 7,5% acima de um ano antes, o equivalente a 12,1 meses de vendas no ritmo do último trimestre. A composição mudou. No MCMV, o estoque cresceu 19,6%, para 117.752 unidades e 11,3 meses de consumo. No MAP, caiu 22,7%, para 25.591 unidades, mas a duração subiu para 15,6 meses, porque as vendas caíram mais rápido que a oferta.

A velocidade de vendas sobre oferta (VSO) trimestral ficou em 24,9% no agregado, 2,6 pontos abaixo de junho de 2025. No MAP, o indicador recuou para 19,2%, abaixo da média da série. No MCMV, marcou 26,4%, queda de 3,5 pontos.

A Fipe calcula os indicadores com dados de 20 empresas associadas à Abrainc, o que os torna uma amostra das grandes incorporadoras, não um censo do mercado. As variações comparam sempre com o mesmo período do ano anterior.

O que muda para quem tem terreno

Para terreno com vocação de médio e alto padrão, o sinal é de cautela na ponta compradora. Menos lançamentos, vendas em queda, distratos em alta e estoque que demora mais a girar significam incorporadoras mais seletivas na compra de área e mais exigentes em prazo, permuta e condições de pagamento. Quem negocia agora tende a enfrentar propostas com mais gatilhos de aprovação e de vendas.

No MCMV, a demanda por produto segue firme, mas o estoque do programa subiu quase 20% em um ano. Isso desloca a disputa para terrenos com custo de implantação baixo e aprovação rápida, porque a margem do segmento é limitada pelos tetos de valor do programa. Em ambos os casos, o terreno que se destaca é o que chega com documentação, diretrizes e restrições já levantadas, encurtando o tempo entre a compra e o lançamento.

Fontes

  1. Indicadores Abrainc/Fipe: Principais resultados, junho de 2026 · Fipe / Abrainc
  2. Indicadores Abrainc/Fipe · Fipe

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