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Resumo da semana: inflação fura o teto e crédito perde fôlego

O IPCA de setembro estourou o limite da meta em 12 meses, preço e aluguel seguem subindo e o regulamento da reforma tributária ganha nova versão.

3 min de leitura

A inflação volta a furar o teto da meta

O IPCA subiu 0,82% em setembro, divulgou o IBGE em 9 de outubro, bem acima dos 0,60% que o mercado projetava. No acumulado de 12 meses a inflação chegou a 4,58%, acima do teto de 4,5% da meta (3% com tolerância de 1,5 ponto), segundo a Agência Brasil. Habitação foi o grupo de maior alta, 2,31%, puxado pela energia elétrica (7,98%) com o fim do Bônus Itaipu.

Inflação acima do teto reduz o espaço para o Banco Central cortar juros no ritmo que o mercado vinha desenhando.

Imóvel pronto sobe, mas ainda abaixo da inflação

O índice FipeZAP de venda de imóveis residenciais avançou 0,58% em setembro, ante 0,53% em agosto, e acumula 4,04% no ano. Fortaleza liderou o mês, com alta de 1,67%.

Preço de imóvel pronto corrigindo abaixo do IPCA aponta demanda firme, sem euforia.

Aluguel corre quase o dobro da inflação

No mesmo FipeZAP, divulgado em 14 de outubro, o aluguel residencial subiu 0,52% em setembro e acumula 7,11% no ano, quase o dobro do IPCA do período. A rentabilidade média estimada do aluguel ficou em 6,13% ao ano.

Aluguel subindo acima da inflação sustenta o apetite por imóvel de renda, uma das pontas que dá saída a produto residencial.

IGP-M fecha o reajuste de outubro em 3,34%

Os contratos de aluguel com aniversário em outubro reajustam por um IGP-M acumulado de 3,34% em 12 meses. O índice de setembro, de 1,57%, foi divulgado pela FGV em 29 de setembro.

Com o IGP-M de novo abaixo do IPCA, o contrato indexado a ele corrige menos que a inflação cheia.

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Reforma tributária: regulamento do IBS e da CBS ganha nova versão

O primeiro bloco de regras da reforma saiu em abril (Decreto nº 12.955/2026, da CBS, e Resolução CGIBS nº 6/2026, do IBS) e a Receita Federal sinalizou uma nova versão do regulamento ainda em outubro, incorporando centenas de propostas, segundo o Contábeis. Em 2026 a alíquota efetiva para imóveis é zero: a cobrança começa a valer em 2027 na CBS e em 2029 no IBS. O que entra em jogo está detalhado em reforma tributária e o mercado imobiliário.

Quem estrutura loteamento ou incorporação precisa acompanhar o texto final, porque permuta, incorporação e parcelamento entram no novo regime.

STJ discute se o zoneamento barra a usucapião

A 3ª Turma do STJ retomou em 6 de outubro o julgamento do REsp 2.102.586/DF, que decide se décadas de ocupação de uma área cujo zoneamento proíbe moradia dão direito a usucapião. O julgamento segue em aberto, com pedido de vista do Ministério Público Federal, conforme o acompanhamento do caso.

A tese pode reforçar que posse longa não supera restrição de uso, leitura relevante para terreno ocupado ou com destinação divergente da do título.

Nossa leitura

A semana prendeu a atenção na inflação. O estouro do teto da meta vem no pior momento para quem acompanha o crédito imobiliário: o Banco Central tinha acabado de iniciar um ciclo tímido de cortes e reabrir funding, e um IPCA de 12 meses em 4,58% aperta o discurso de cautela às vésperas da reunião de novembro. Para o dono de terra, a leitura é que a janela de juros existe, mas segue estreita e condicionada.

No mercado físico, o quadro é de continuidade, não de virada. Preço de imóvel pronto sobe abaixo da inflação e o aluguel sobe acima dela, combinação que mantém o investidor de renda ativo sem reprecificar o estoque de forma agressiva. É demanda que absorve produto bem localizado, não demanda que perdoa erro de produto ou de preço de terreno.

No pano de fundo regulatório, dois sinais pedem acompanhamento: o regulamento da reforma tributária, que vai definir como permuta e parcelamento são tributados, e a disputa no STJ sobre posse contra zoneamento. Nenhum dos dois muda uma conta nesta semana, mas os dois mexem com premissa de prazo e de risco de quem compra terra para transformar.

Fontes

  1. Inflação oficial de setembro fica em 0,82%, mostra IBGE · IBGE / Agência Brasil
  2. Sistema Nacional de Índices de Preços ao Consumidor: INPC/IPCA, setembro de 2026 · IBGE
  3. Índice FipeZAP de preços de imóveis anunciados · Fipe
  4. IGP, Índice Geral de Preços · FGV IBRE
  5. IBS e CBS: nova versão do regulamento pode sair até outubro · Contábeis
  6. REsp 2.102.586/DF: usucapião em área com zoneamento restritivo · STJ, 3ª Turma

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