Selic cai a 13,75% e crédito da poupança cresce 46,6% em agosto
O Copom cortou mais 0,25 ponto em 16 de setembro, e o SBPE financiou R$ 16,97 bilhões em agosto, mas a poupança segue perdendo recursos.
O Comitê de Política Monetária do Banco Central reduziu a taxa Selic de 14,00% para 13,75% ao ano na reunião de 16 de setembro de 2026, por decisão unânime dos sete diretores. Foi o terceiro corte seguido de 0,25 ponto percentual, depois das reuniões de junho (14,25%) e agosto (14,00%), segundo os comunicados oficiais do Copom. Duas semanas depois, em 30 de setembro, a Abecip divulgou que o crédito imobiliário com recursos da poupança somou R$ 16,97 bilhões em agosto, alta de 46,6% sobre agosto de 2025.
O que o Copom disse
O comunicado da 281ª reunião aponta moderação gradual da atividade, mercado de trabalho aquecido e inflação acima da meta. As expectativas da pesquisa Focus estavam em 4,9% para 2026 e 4,3% para 2027, e a projeção do próprio Comitê para o IPCA de 2026 é de 5,2%. Para o primeiro trimestre de 2028, horizonte relevante da política monetária, a projeção é de 3,2%.
O Comitê reafirma que a magnitude total do ciclo de calibração será estabelecida à luz de novas informações visando assegurar a convergência da inflação à meta.
Comunicado da 281ª reunião do Copom, 16/09/2026
Em outras palavras, o Banco Central não se comprometeu com o tamanho dos próximos cortes. O texto cita o conflito no Oriente Médio, o petróleo e a política fiscal doméstica como fontes de risco, com assimetria para cima na inflação.
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O crédito da poupança em agosto
Pelo boletim Data Abecip de agosto de 2026, os financiamentos do SBPE para aquisição e construção recuaram 19% em relação a julho, mas o mês foi o terceiro melhor agosto em 25 anos. Os principais números:
- R$ 16,97 bilhões financiados em agosto, alta de 46,6% em 12 meses;
- 46,8 mil imóveis financiados no mês, alta de 27,5% sobre agosto de 2025;
- R$ 132,5 bilhões de janeiro a agosto, 37,5% acima do mesmo período de 2025;
- R$ 192,4 bilhões nos 12 meses encerrados em agosto, alta de 20,2%;
- R$ 1,31 bilhão em financiamentos com recursos livres, queda de 63,3% na comparação anual.
O lado frágil está na captação. A poupança SBPE teve saída líquida de R$ 9,51 bilhões em agosto, ante R$ 4,7 bilhões um ano antes, e o saldo das cadernetas caiu para R$ 757,2 bilhões. No acumulado do ano, a saída líquida é de R$ 47,0 bilhões, levemente menor que os R$ 48,3 bilhões de janeiro a agosto de 2025. É a poupança que lastreia o crédito do SBPE, e um funding que encolhe limita quanto os bancos conseguem emprestar com taxa direcionada.
O que muda para quem tem terreno
Juro básico em queda e crédito da poupança em alta sustentam a demanda por imóvel financiado, que é a demanda que absorve lançamentos e, por consequência, a que dá liquidez a terreno com vocação residencial. O corte, porém, é pequeno e sem compromisso de continuidade, e a poupança continua perdendo depósitos. Para o dono de terra, a leitura prática é que a janela de crédito existe, mas não autoriza projetar velocidade de venda como se o ciclo de juros já estivesse resolvido.
A queda forte do crédito com recursos livres também pesa para produto acima do teto dos financiamentos direcionados: nesse segmento o comprador depende mais de taxa de mercado, que acompanha a curva de juros longa e não apenas a Selic. Quem negocia terreno para incorporação de médio e alto padrão deve tratar esse ponto como premissa de prazo de venda, não como detalhe.